Planeamento familiar - ainda o Aborto
Vejo com alguma apreensão a satisfação com que alguns políticos encararam os resultados do referendo -- quer em termos de participação, quer em termos de resultados. Não tendo dúvida que o sim ganhou, é de sublinhar o carácter não-vinculativo subjacente ao facto de menos de 50% dos eleitores terem votado. Emergem diversas teorias que deviam ser devidamente escrutinadas:
- mais de metade dos eleitores alhearam-se do referendo: escolhendo não votar;
- caberia à Assembleia da República legislar ao arrepio do que foi determinado pelo último referendo?
- no limite, os políticos poderiam convocar um referendo por ano, até que o resultado fosse o que lhes mais interessasse?
Facilitismo porque se inferem mil conclusões de uma pergunta, que ainda assim era pertinente e clara -- mas não abrangia o que de pormenor deve resultar da nova lei que se quer, a todo o gás.
Muitos à esquerda olham com sobranceria exemplos que são, das melhores práticas europeias, como o caso alemão. Porque vivemos ainda, embora eles não queiram, no "orgulhosamente sós"? Nada de mais errado do que desprezar exemplos e boas práticas. Devemos sim, aprender e estudar minuciosamente as consequências sociais que resultaram em outros países, à luz de um resultado que impõe que a lei seja parida, porque o sim ganhou, mas definitiva, correcta e ponderada.
Já agora, aproveito para deixar o link do Portal do Cidadão para o Planeamento Familiar, que esclarece como e quando podem ser prestados os cuidados do Serviço Nacional de Saúde a este respeito: como+funciona+o+planeamento+familiar.htm

